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50 anos de rock na veia: Rolando Castello Junior


50 anos de rock na veia: o baterista Rolando Castello Junior reúne músicos e amigos em grande celebração no SESC Belenzinho

“Uma festa muito louca, um sonho eterno de rock‘n’roll”. Foi essa a vibe que a Web Rádio Stay Rock Brazil conferiu na comedoria do SESC Belenzinho na última sexta e sábado (4 e 5/11) durante a comemoração de 50 anos da brilhante carreira do baterista Rolando Castello Junior. O evento se transformou numa grande festa, um tributo com direito a repertório da Patrulha do Espaço, Aeroblus e Inox, bandas das quais Rolando Junior participou. A Patrulha do Espaço subiu ao palco na sexta-feira e contou com casa cheia. Fãs de longas datas e parceiros de bandas, além de gente vinda dos quatro cantos da megalópole, prestigiaram e se esbaldaram com a efervescência do rock setentista, com mesclas e pegadas de Hard Rock e sons progressivos.

Aventuras roqueiras

O show reuniu a formação clássica da Patrulha do Espaço, que voltou à ativa em 1999 com Luiz Domingues no baixo, Rodrigo Hid e Marcello Schevano nas guitarras, e Junior, lógico, na bateria. Juntos, eles levaram sons como “Tudo vai mudar”, “São Paulo City”, “Rock com Roll” e “Vou rolar”, entre outros. Verdadeiro cerne do rock pesado nacional, o som da Patrulha evocado nesse período não deixa por menos e é considerado como um dos mais produtivos e criativos. A discografia com verdadeiras pérolas, como Chronophagia, de 2000, Missão na Área 13, de 2004, Capturados Ao Vivo no CCSP em 2004, de 2007, além de Compacto lançado em 2003, comprova o que dizem as boas línguas. Músicos incríveis também marcaram presença e deram toque especial ao repertório da Patrulha, gente raçuda que não economizou energia para celebrar 50 anos das baquetadas enfurecidas de Junior. Da trupe dos bateras, Paulão Thomaz (“Bomba”) e Paulo Zinner (“Festa de Rock”), além da belíssima Mariana Bertolassi Schevano (“Robot”), esposa de Marcelo Schevano, mostraram toda a sua garra, fizeram bonito diante do mestre. Em posse do microfone, Ivan Busic assumiu os vocais em “Não tenha medo” e agradou bastante.

Os baixistas Daniel Dellelo e Daniel Ribeiro, o Kid, o guitarrista Carlinhos Anhaia (“Meus 26 anos”), e também Marta Benévolo (“Colúmbia”) e Rogério Fernandes (“Cão Vadio”), vocalista da banda Carro Bomba, engrossaram o caldo, cada um temperando a seu modo, dando sabor e timbres revigorados.

Rock e ar em movimento

Com um público menos volumoso e seleto na comedoria, mas igualmente animado e ansioso, o encontro de sábado caiu como uma tempestade sonora em nossas cabeças, sensação que o show do Aeroblus proporcionou logo de cara com “Vamos a buscar la luz”. O peso das composições do Aeroblus, cheia de riffs e solos magníficos, aliado à pancadaria de Junior, conferem à banda autenticidade da primeira a última música.

“É uma grande alegria estar aqui esta noite com meu grande amigo Medina, que veio especialmente da Argentina para alegrar ainda mais a festa com algumas canções do Aeroblus”, celebra o baterista festivo.

Além do baixista Alejandro Medina, subiram ao palco para fazer decolar o Aeroblus, Marcello Schevano e Danilo Zenite, nas guitarras. Medina não economizou cumprimentos a Junior e elogios e pela iniciativa de reunir personagens memoráveis da cena.

Vale lembrar que o único disco do Aeroblus, gravado em 1977 e que contou com o argentino Pappo nas guitarras do power trio, influenciou gerações e lançou os alicerces do Heavy Metal no Brasil e na Argentina.

Uma história sem fim

Outra banda que tem a marca registrada de Junior é a Inox, que surgiu em 1985, em meio à efervescência do rock brasileiro. À época, Inox era composta pelos músicos Fernando Costa, na guitarra e teclado, Paulinho Heavy, nos vocais e Ségis Capuano, baixista que faleceu em 2003. Para compor a formação junto com Junior e Paulinho Heavy no show de sábado, Tadeu Dias e Marcello Schevano assumem as guitarras, enquanto Andria Busic se apodera do mesmo contrabaixo que Ségis costumava usar.

As músicas da Inox, composições tecnicamente difíceis, exigiram dedicação e preparo dos músicos, que receberam elogios de Junior pelo trabalho realizado: “Tirar essas músicas não é fácil, muito obrigada pelo esforço, foi muito legal da parte de vocês”.

Paulinho se lembra de 1986, ano de gravação do álbum que levou o nome da banda, período em que os músicos investiram em sonoridades pesadíssimas numa verve feroz: “É uma emoção muito forte celebrar os 50 anos de carreira desse grande amigo, momento em que recordamos de toda a nossa luta para dar força e identidade ao rock nacional”, comemora Paulinho.

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