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O Rock combativo do 365


A audiência do Live on The Rocks cresce a cada edição, a cada encontro entre a equipe da Rádio Web Stay Rock Brazil e as bandas. Na sede insaciável de trazer o melhor da cena autoral, os visionários apresentadores do Programa Rogério Utrila, Renato Menez e Adilson Oliveira dedicaram o Programa desta quarta-feira (11) aos veteranos do 365, em um bate papo cheio de histórias no Rocks Studio, na zona sul da capital. Pocket-show, entrevista e dicas de sons que inspiraram os músicos da banda também vão deixar você conectado com a Stay Rock do começo ao fim.

Algumas músicas marcaram sobremaneira a trilha sonora da vida de quem viveu intensamente o rock’n’roll nos anos 80. Dentre elas, as composições do 365 estão entre as que mais mexem com a memória afetiva dos fãs, fazendo-os reviver o grito de uma geração que mudou a história da música, sem medir limites para contestar, transgredir e mostrar que rock é atitude, rock é combate.

Inúmeros músicos já passaram pelo 365 e, como toda banda que acumula uma trajetória extensa, com altos e baixos, ela também terminou e voltou incontáveis vezes. A formação atual conta com M.N. Junior no baixo, Valter Muniz na bateria, Ari Baltazar na guitarra, e Miro de Melo, que assumiu definitivamente os vocais, depois de incansáveis vaivéns de vocalistas.

“O 365 foi uma banda que tocou muito em rádio e a grande maioria das pessoas que comprou nosso primeiro disco, que vendeu mais de 100 mil cópias, não conhecia a fisionomia dos músicos. Essa baixa exposição foi positiva e não encontramos dificuldade em substituir músicos da primeira formação, justamente porque a banda não tinha rostos de referência, então, conseguimos manter a unidade da banda em meio às nossas diferenças, sem que a saída de um ou outro integrante pudesse comprometer o trabalho como um todo”, explica Miro.

Rock de combate

Desde 1983 na estrada, o 365 consolidou sua carreira em meio à efervescência e auge do rock paulista, compondo a vanguarda das lendárias e fieis representantes do punk rock paulistano. A influência punk dos anos 70 (Clash, Sex Pistols, The Jam) foi essencial para que a sonoridade do 365 personificasse, claramente, aquilo que ficou conhecido como rock de combate.

Em plena ditadura militar, numa época em que as dificuldades para a produção musical eram inúmeras, a banda conseguiu se destacar com composições de protesto. “O punk rock era um estilo que fazia sentido pela nossa condição de vida, sem perspectiva nenhuma, sem emprego e ainda em meio à repressão, éramos todos da periferia e nos encontrávamos no centro da cidade para bater papo, trocar informações sobre som, ou seja, tudo isso ajudou a construir um rock’n’roll visceral como o nosso”, observa Miro.

Nesse contexto, a criatividade sempre foi o elemento essencial para que a banda pudesse superar muitas das barreiras e dificuldades que apareciam. Para o guitarrista Ari Baltazar, o punk rock fez com que os caras metessem as caras para colocar para fora toda a indignação de uma geração oprimida e cheia de vontade de fazer música. “A gente aprendeu a fazer música com o punk rock, como se já tivéssemos nascido para isso, porque o gênero não exige grandes conhecimentos musicais, e por isso tanta gente encontrou ali um jeito de começar, de juntar as influências daquilo que gostavam de ouvir com outros ritmos”, conta Ari.

A autenticidade sonora da banda cedeu espaço para algumas ousadias, como a inserção da faixa “África” no álbum 365, lançado em 1987, a evidência da completude e maturidade dos músicos. Já nos anos 90, o 365 foi convidado para participar da coletânea inglesa “Oi! It's a World Invasion”, vol. 2, com as músicas "Pamela" e uma versão de "Violência e Sobrevivência" do Lixomania. “O convite foi feito através do escritor Glauco Mattoso, que tinha um selo com o baterista do Garotos Podres, e foi assim que rolou, esses trabalho reuniu trabalhos de bandas do mundo todo, foi muito interessante”, lembra Ari.

Fazendo punk rock hoje em dia

“Estamos ai, batalhando, sempre no palco, a gente gosta de tocar, essa é a nossa vida, e vamos fazer isso até quando Deus permitir”, comemora o vocalista Miro. O que mudou? De acordo com os músicos do 365, a mesma energia de se fazer punk rock nos anos 80 está presente nos dias de hoje e torna-se ainda mais compensadora a cada vez que eles sobem ao palco.

“A música tem que caminhar junto com sua atitude, origem, pensamento, o que se quer transmitir, a leitura do contexto político e social, não fomos uma banda preparada por gravadoras para tocar, pelo contrário, batemos de frente com isso”, conta Ari. Sem ceder aos apelos e pressões das gravadoras, que desestimulavam carreiras, fabricavam bandas e tolhiam a criatividade dos músicos, Ari conta que o 365 conseguiu manter sua autenticidade e sonoridade debaixo de muita briga.

Em tempo, os caras do 365 explicam que o rock sempre foi e sempre será uma ferramenta contrária ao que é supra valorizado pela grande mídia em detrimento de trabalhos incríveis, mas que não alcançam a merecida visibilidade. Sobre a internet, Miro e Ari concordam que a divulgação dos trabalhos das bandas ganharam vida nova com o uso das redes sociais: “As bandas têm que cativar e criar seu próprio público. Antigamente havia os zines, hoje em dia, a internet, não existe uma fórmula mágica, o que é preciso é acreditar naquilo que é verdadeiro e não deixar de seguir seus sonhos”, acredita Miro.

Miro lembra ainda que rock não é moda: “é um estilo de vida, música, cultura e arte. Nos anos 80, a gente tinha as bandas de rock de São Paulo e do Rio de Janeiro, depois vieram as de Brasília, e fora isso, tinha muita gente boa que ficou para trás porque não teve oportunidade”, lamenta.

Sobre a possibilidade de se trazer à tona toda a ebulição e dinamismo musical que marcou aquele período, o vocalista é enfático em afirmar a importância de iniciativas como a da Rádio Web Stay Rock Brazil: “A iniciativa de vocês de montar uma rádio e nos convidar, mesmo já dinossauros, abrir esse espaço para que a gente possa falar, é sem igual, são vocês que vão fazer a cena acontecer de novo”, vibra Miro.

Old scholl, os caras do 365 não descartam a possibilidade de gravar novos trabalhos em CD e vinil, um álbum completo com 12 faixas. Aos fãs e admiradores do 365, resta acompanhar as novidades da banda pelo Facebook https://www.facebook.com/Banda-365-1497986600475421/

A homenagem do poeta Utrila

Como de costume, ao final da gravação do Programa Live On The Rocks, o radialista Rogério Utrila presenteia os participantes com um poema, elaborado a partir dos nomes das músicas da banda. Para a turma do 365, a história ficou mais ou menos assim:

Meus brothers do 365, “QUANDO PARTI” de “CASA”, vim do “OUTRO LADO DO RIO” para dizer que o som da banda me faz sentir deitado em um “BERÇO ESPLÊNDIDO”, tamanha perfeição na arte de executar suas canções. Uma banda de “SÃO PAULO” para o mundo seja em “GRÂNDOLA”, “JAMAICA”, “ÁFRICA”, não importa, “NÓS SOMOS A MASSA”. “O DESTINO” distingue o “CERTO E O ERRADO” e nos faz entoar uma “CANÇÃO PARA MARCHAR” em direção ao “FUTURO”. E depois de curtirmos as três sonzeiras que vocês tocarão aqui, “NUNCA MAIS SEREMOS OS MESMOS”. Anuncia para a galera que está ouvindo o Live On The Rocks quais as músicas que tocarão nessa “FESTA” que transformará o Rocks Studios num “SAMBÓDROMO” do Rock.

#LiveonTheRocksshows #CarlaMaio #365 #Rocksstudio

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