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Músicos da banda Lee Recorda falam das singularidades do rock progressivo


O Programa Live On The Rocks exibido nesta quarta-feira, 20, trouxe ao Rocks Studio a banda de rock progressivo Lee Recorda, novo projeto do ex-tecladista da lendária setentista Recordando o Vale das Maçãs, Lee Eliseu. Rememorando o período de efervescência sonora de uma das mais expressivas bandas do rock nacional, Lee Recorda foi formada em 2015, com a proposta de manter aceso esse legado.

Ao lado de Lee Eliseu (teclados e vocal), o baixista Fernando Tavares, o baterista Carlinhos Machado e o guitarrista Adilson Oliveira compõem um time de peso, engajado em dar nova roupagem às músicas do Recordando o Vale das Maçãs, mas também de unir experiências em busca de composições progressivas singulares.

Para o público amante da vertente, os músicos do Lee Recorda compartilham passagens interessantes sobre suas carreiras profissionais, falam de suas afinidades com o gênero, influências e da riqueza de um projeto tecnicamente grandioso.

Recordar é viver

Desde criança, Lee Eliseu já frequentava programas de TV e não demorou a participar dos famigerados festivais dos anos 70. Tecladista de mão cheia, Lee via sua irmã tendo aulas de piano e não demorou a se encantar com os acordes, aprendendo sozinho a se relacionar com o instrumento. Só depois decidiu estudar a fundo, passou a entender as técnicas e aprimorar o que aprendeu em casa. Quando viu Rick Wakeman pela primeira vez cercado de teclados por todos os lados, ficou em choque e certo que esse era o seu instrumento.

A rica convivência com os músicos do Recordando o Vale das Maçãs foi fundamental para incrementar sua experiência sonora. Sua trajetória na banda teve início quando um amigo o convidou para participar do grupo, em 1976. Na ocasião, ele teve a oportunidade de mostrar algumas de suas composições, como por exemplo, “Rancho. Filhos e Mulher”, que logo caiu no gosto dos músicos, ganhou arranjos e tratamento especial e foi incorporada ao repertório.

Outra música que marcou a trajetória do Recordando o Vale das Maçãs foi o hit “Sorriso de Verão”. Lee conta que, em 1982, voltou à cidade de Santos, no litoral paulista, a convite da banda para gravação do 2º disco. Naquela época, o produtor Arnaldo Saccomani convidou a banda para mostrar músicas num programa da Rádio Antena 1:

“Saccomani gostou muito do nosso trabalho e nos encomendou uma música romântica, bonita, seguindo os padrões do Recordando o Vale das Maçãs. Topei e foi assim que surgiu a ideia para “Sorriso de Verão”, fortemente inspirada no sorriso de uma mulher que conheci”, conta Lee. Apesar do tema romântico, os demais integrantes da banda gostaram muito da composição e decidiram gravá-la”, conta.

Naquela época, as dificuldades para gravação de material eram imensas, os recursos eram escassos e havia poucos estúdios com qualidade no Brasil. “Sorriso de Verão” foi gravada de forma independente em Curitiba, antes de ser lançada em compacto. “Levamos uma cópia para a rádio Tribuna e logo ela começou a tocar como água. Depois que lançamos o compacto, ele vendeu muito. Até hoje, a música toca nas rádios por ai”, vibra o tecladista.

Cavalheiros dos portões do delírio

O bate papo com os músicos que dão vida ao Lee Recorda é cheio de vigor, sobretudo quando cada um deles começa a narrar o modo como o rock progressivo os influenciou. Quando recebeu o convite para o Projeto, Adilson Oliveira conta que vibrou muito: “Sabe aquele garoto que ia ao campo ver seu ídolo treinar e, um dia, o time o chama para jogar? É assim que me senti quando o Lee me procurou para fazer parte do Projeto. É uma honra tocar com esse grande capitão”, comemora o guitarrista.

Já há seis anos, quinzenalmente às terças-feiras, Adilson apresenta o Linha do Horizonte na Rádio Web Stay Rock Brazil, um programa inteiramente dedicado ao rock progressivo. “Esse é meu estilo predileto, sempre ouvi Yes, Focus, Genesis, Emerson Lake and Palmer, uma infinidade de músicos e bandas do gênero. Por isso, fazer parte do Projeto é muito importante porque, anos depois, eu finalmente consegui tocar numa banda de rock progressivo, para mim isso é realizar o sonho do menino que foi jogar com seu ídolo preferido”.

Sobre suas influências, Adilson revela sua formação erudita e uma aproximação, desde cedo, com bandas como The Beatles, Rush e Led Zeppellin. “Especificamente em relação à guitarra, o cara que mudou minha forma de pensar e me fez estudar música na faculdade foi o Edward Van Halen. Tive o prazer de ver seis shows dele no Brasil e ele fazia muito além do que estava nos discos. O Randy Rhoads é outro cara que sempre me impressionava muito, principalmente quando juntava o violão com a guitarra, Yngwie Malmsteen, é claro, e no violão o Paco de Lucia e também o Raphael Rabello, um dos maiores violonistas do planeta, um cara que mudou o violão brasileiro”, conta.

Depois que o Adilson passou a integrar a banda Lee Recorda no ano passado, ele convidou o baixista Fernando Tavares, que recebeu o convite com espanto e alegria. Fernando revela que já conhecia o trabalho do Recordando o Vale das Maçãs e visto a banda Lee Recorda no Totem Prog Festival em 2017, no Teatro UMC. Fernando aceitou o convite imediatamente. “O trabalho com o Lee é muito legal, porque estou realizando o sonho de tocar tudo aquilo que eu sempre gostei. Confesso que gosto muito mais das músicas da nova versão do que das versões antigas”, compara Fernando em tom de brincadeira.

A relação de Fernando com o rock progressivo é afetiva. No final da rua onde morava, no Jardim Tranquilidade, em Guarulhos, havia uma loja de discos chamada Viagem Sonora, local que frequentava assiduamente. Sempre que ia à loja, estava tocando Violeta de Outono, e foi ali que ele conheceu todas as bandas de rock progressivo que o inspirou: Recordando o Vale das Maçãs, Violeta de Outono, Yes. Assim como Adilson, ele também sempre quis ter uma banda de rock progressivo e está muito satisfeito com os resultados que, juntos, estão alcançando.

Ao falar de suas influências, Fernando cita Frank Zappa e Robert Fripp como músicos impressionantes. Contudo, a forma como John Deacon e Chris Squire subverteram o contrabaixo sempre o instigou: “Eles são geniais, são de fato minhas duas maiores influências, os responsáveis por tirar o contrabaixo do papel de condução da música e fazer com ele aquilo que o instrumento realmente é, uma das vozes mais importantes de toda a música”.

Em matéria de rock’n’roll, Carlinhos Machado é outra sumidade. O músico acumula uma lista enorme de serviços prestados à música, com um currículo respeitado e uma trajetória de parceria junto a nomes como Kim Kehl (Os Kurandeiros), Gerson Conrad (Secos e Molhados), Zé Brasil (Apokalypsis), entre outros. “Ouço Beatles desde pequeno, havia uma banda brasileira chamada Renato e seus Blue Caps que regravavam versões das músicas dos Beatles. Quando finalmente descobri o Ringo tocando bateria, eu pensei, esse cara é louco, ele domina uma técnica incrível, muitos desconhecem o quanto ele é virtuoso”, pontua o baterista.

Sobre sua relação com o rock progressivo, Carlinhos também relata grande predileção pelo gênero. “Ter a chance de ouvir o Carl Palmer (Emerson Lake & Palmer) tocando foi muito louco, sempre pensei que seria impossível tocar numa banda de rock progressivo. Mais ou menos em 1986, fui chamado por dois amigos argentinos para uma banda do gênero, um trio com baixo, teclado e bateria; apesar de mandarmos muito bem, a banda não foi para a frente”, conta.

Nos anos 70, ele se interessou pela sonoridade e peso do Som Nosso de Cada Dia. “A forma como Pedrinho Batera tocava e cantava chamava muita atenção, ele tinha uma voz belíssima, um swing e domínio fantástico do instrumento e isso fez com que eu me interessasse bastante pelo gênero. Na época, acabei comprando um disco do Recordando o Vale das Maçãs , mas não porque conhecia as músicas, mas porque gostei da contracapa: umas maças, umas crianças, um álbum com dois lados bastante distintos e quando coloquei para ouvir, eu achei fantástico, um lado completamente progressivo, muito interessante”.

Conversa para iniciados, se depender da disposição, carisma e atitude desses cavalheiros dos portões do delírio, o rock progressivo ainda vai dar muito que falar. Do lado de cá, nós, fãs e apreciadores de boa música, só temos a comemorar e a vibrar pelo sucesso dessa incrível jornada.

Mais essa do poeta Utrila

Como todos nós já imaginávamos, Lee Eliseu e os músicos do Lee Recorda também não escaparam das investidas poéticas de Rogéria Utrila, sem dúvida, uma divertida brincadeira que pegou. Confira a homenagem:

Meus amigos Lee Recorda, como é bom ouvir músicas inspiradas em “CANTO DOS ANJOS” e suas canções me faz sentir como se estivesse convivendo com “O MUNDO DE DAVI” exercendo funções nobres como um “FERREIRO DO CÉU” ou até mesmo colhendo uma “ROSA DOS DEUSES”.

Muitas dirão que tudo isso é pura “BESTEIRA”, mas quem não gostaria de curtir “A LUZ DA NATUREZA”? A alegria da vida é estampada num “SORRISO DE VERÃO” e vista através de um “RAIO DE SOL”. Minhas virtudes podem ser escritas na “ÁGUA” e com certeza vou encontrar a paz perfeita com “RANCHO, FILHOS E MULHER”.

#LeeRecorda #entrevista #LiveonTheRocksshows

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