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Salário Mínimo: banda escancara o rock nacional com histórias inspiradas em fatos reais


Memórias de uma das épocas mais efervescentes do rock nacional, regadas a anedotas ao mesmo tempo emocionantes e hilárias, que fazem brilhar os olhos de quem experimentou insanamente tudo o que os anos 80 tiveram a oferecer em matéria de rock’n´roll. Convidados mais que especiais da Rádio Web Stay Rock Brazil para a edição desta quarta-feira, 1º de maio, do Programa Live on The Rocks, a banda Salário Mínimo divertiu os participantes com histórias, livremente inspiradas em fatos reais de uma das mais lendárias bandas do metal nacional. Gravado no Rocks Studio, o Live On The Rocks tem produção de Fábio Hoffmann e Julia Ritner. A reprise com a banda Salário Mínimo vai ao ar na próxima sexta-feira, 3, às 20 horas.

Em posse dos microfones do Rocks Studio, China Lee (vocal), Junior Muzilli (guitarra), Marcelo Campos (bateria), Diego Lessa (baixo) e Daniel Beretta (guitarra) bateram um papo bastante divertido com os apresentadores Rogério Utrila, Adilson Oliveira e Renato Menez, escancararam suas trajetórias e preferências musicais, e revelaram uma forte amizade entre os músicos, uma família, como China Lee gosta de enfatizar.

O Salário Mínimo se destacou em meio às bandas precursoras do metal nacional, ao lado de nomes como Vírus, Centúrias, Abutre, Korzus, Santuário, entre outras. A banda surgiu no início dos anos 80, do ideal de quatro adolescentes que sonhavam em ter uma banda de rock com músicas cantadas em português. Naquela época, a cena rock ganhava força e contava com uma energia extremamente inovadora, tanto na musicalidade quanto na atitude, características que marcaram as primeiras apresentações do grupo.

Logo de cara, os músicos se identificaram com os shows do Iron Maiden, que na época tinha Paul Diano como seu bandleader e que chegaram às mãos dos jovens músicos por meio de amigos. Assim, o Salário Mínimo dava seus primeiros passos na construção de uma identidade musical explosiva e pesada ao mesmo tempo em que investia em uma personalidade visual com figurinos autênticos, o que transformava os shows da banda em verdadeiros espetáculos interativos com os fãs. Nos anos 80, além do som pesado e altamente envolvente, o visual e a postura de palco de uma banda eram essenciais. Por essas e outras que China Lee se diverte ao dizer que o Salário Mínimo é a versão brasileira do Mötley Crue.

Shows e mais shows

Em 1984, Luiz Calanca, produtor do então selo Baratos Afins, convidou o Salário Mínimo para participar da coletânea SP Metal 1, lançada nesse mesmo ano e que levou duas composições da banda, as efusivas e delirantes "Cabeça Metal" e "Delírio Estelar". Shows e mais shows deram à banda a energia necessária para investir em no álbum “Beijo Fatal”, lançado pela RCA em 1987, trabalho cuja produção, segundo o próprio China Lee, “foi uma verdadeira loucura”.

O Salário Mínimo percorreu o país todo com suas turnês e lotavam estádios com 4 mil, 6 mil pessoas, fato absurdamente marcante na história do rock nacional. No currículo da banda, há ainda grandes aberturas de shows de bandas renomadas, como U.D.O, Scorpions, Uriah Heep e Twisted Sister, entre outras, para plateias com mais de 20 mil pessoas. Nesse ir e vir de inúmeras cidades brasileiras, eles tiveram a oportunidade de mensurar a cena de forma bastante peculiar, observando a repercussão do trabalho da banda em estados como Pará, Ceará, Rio Grande do Sul, entre outras.

“Havia um fã clube chamado “Anjos da Escuridão”, uns meninos e meninas muito organizados. Por meio deles, chegavam até nós uma média de 300 a 400 cartas por semana, de todo o Brasil, de lugares bem distantes, e isso nos deixava impressionados”, relata com alegria o frontman, revelando que as cartas eram importante termômetro no momento de fechar os shows em determinados locais. China Lee conta que outro importante termômetro eram as rádios de frequência modulada, que na época dedicavam sua programação ao rock nacional, bem diferente do que acontece hoje em dia. “A primeira rádio a tocar Salário Mínimo em São Paulo foi a Brasil 2000”, lembra China.

Muito bem frequentada por fãs atrás de novidades, as lojas de discos espalhadas por todo o país também indicavam como era o score da banda em diferentes regiões. “Tínhamos conhecimento das outras bandas por meio de informações que chegavam até nós por meio de revistas e fanzines. Ficávamos amigos das bandas, trocávamos cartas e ligações telefônicas, que naquela época eram caríssimas. Mesmo diante de tantas dificuldades, colocávamos os instrumentos debaixo do braço, carregávamos nas costas, a gente fazia acontecer”, observa China.

“Existia uma amizade absurda, éramos todos muito unidos, havia pouca ou quase nenhuma competitividade entre as bandas, e quando havia, era algo saudável”, lembra Junior. O guitarrista relata que, com o Vírus, por exemplo, a troca de experiências foi muito intensa, pois os caras eram bem preparados e faziam performances incríveis.

Amor pelo metal do Brasil

Histórias como essa foram amplamente exploradas pelo documentário Brasil Heavy Metal, projeto lançado em 2016 que conta com depoimentos de inúmeras feras, caras como Tibério (Harppia), Walcir Chalas (Woodstock Discos), Carlos Lopes (Dorsal Atlântica), Rolando Castello Jr. (Patrulha do Espaço), Roosevelt Bala (Stress), entre outros, que viveram a cena em sua plenitude e foram responsáveis por criar o que hoje conhecemos como o heavy metal nacional.

Sobre a escolha dos músicos que já passaram pela banda, China Lee revela que o tanto o SP Metal 1 quanto o álbum “Beijo Fatal” exigiram a busca por pessoas com mesma responsabilidade e sintonia. Naquela época, essa busca resultou no encontro do baterista Nardis Lemme, que impressionava por sua grande semelhança com Tommy Lee (Mötley Crue), do baixista Thomaz Waldy e do guitarrista Arthur Crom, que tocava no Made in Brazil e se encantou com um show do Salário Mínimo em Campinas para 4 mil pessoas, ocasião em que o Golpe de Estado fazia sua primeira apresentação abrindo o show do Salário. “Chegar à formação atual é uma grande conquista, o Beretta e o Diego, que já estão conosco há mais de 10 anos, e o Marcelo, que passou a integrar a banda em 2010, sem dúvida, esses são os melhores músicos que já passaram pelo Salário Mínimo”, comemora China.

Sobre a cena atual, o guitarrista Junior observa uma cena muito dividida, na qual os fãs de rock ainda insistem nos ingressos abusivos das bandas gringas e manifestam pouco interesse pelo cenário nacional. “Não havia tantas vertentes; hoje, o heavy metal vai desde o melódico, passando pelo Thrash, Death, Black Metal. Há muito mais bandas do que casas disponíveis, e isso acaba fragmentando ainda mais a cena”, explica Junior. Já China lembra com altivez da força que costumava movimentar a cena, em que a união entre os músicos era o grande diferencial dos anos 80 e o impossível, apenas uma questão de opinião.

Com relação à profissionalização das bandas, o baterista Marcelo Campos entende que há um equívoco rolando na cena, em que as bandas não conseguem assumir que o som que produzem também é um produto e, como tal, deve ser comercializado de modo qualificado. “Muitos não enxergam sua banda como uma empresa; hoje, os músicos devem se preocupar com o desenvolvimento de estratégias e com o perfil do público para entender como conquistar seu espaço diante de uma infinidade de bandas que estão por aí”. Em meio a um cenário bastante desalentador, em que o público fã de rock prefere, muitas vezes, assistir a shows pelo Youtube do que ver shows ao vivo, Marcelo acredita que as bandas têm que se reinventar e investir em espetáculos que chamem esse público para fora de suas casas.

Sem receita pronta para o sucesso, mas investindo fortemente em boas doses de interação com o público, alto astral e energia, os músicos do Salário Mínimo continuam trazendo fãs saudosos para suas performances, mantendo o título de lenda do metal nacional. Para aqueles que acompanham o trabalho da banda e vibram com o reconhecimento alcançado nesse cenário, vale lembrar que no próximo dia 5 de maio, sábado, a partir das 15h, o Salário Mínimo é uma das convidadas do Golpe Fest, no Fabrique Club, na Barra Funda. O evento, que conta com o show da banda Golpe de Estado e lançamento do DVD “30 Anos Ao Vivo”, contará também com shows das bandas 365 e Ronaldo e os Impedidos. China Lee prometeu uma grande surpresa nesse show e deixou todo mundo curioso. Nos resta agora aguardar pelo show no Fabrique Club, e se a curiosidade não nos matar, nos vemos por lá.

Mais uma do Utrila "poeteiro"

Com recorrente teimosia, divertido hábito costumas, beirando uma mania quase patológica, Rogério Utrila não poupou a banda Salário Mínimo e reuniu trechos de suas músicas, transformando-as nesse quase lógico poema, confira:

Meus brothers do Salário Mínimo, uma satisfação estar diante de “Homens com Pedigree” que ralam “Dia-a-Dia” para manter a chama do Rock acessa “Sob Seus Pés”. O “Tempo” não apagará suas canções. “Ao Menos em Sonho” tenho a esperança de que venceremos esses “Jogos de Guerra” impostos pelas grandes mídias.

Como num filme escrito baseado em “Fatos Reais”, quero viver “2000 Anos” “Sob o Signo de Vênus” ao lado da “Dama Noite” protegido pelos “Anjos da Escuridão”. Que “Ela” não padeça a “Doce Vingança” de um “Voyeur” por fazê-lo “Sofrer” como se tivesse recebido um “Beijo Fatal”.

Deixando o drama de lado, agora é deixar a galera num “Delírio Estelar”, entrando “No Seu Mundo” e exalando emoções na “Cabeça Metal” de cada um com três sonzeras nessa “Noite de Rock” aqui no Rocks Studio.

#SalárioMínimo #LiveonTheRocksshows

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