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A Arte nos tempos de pandemia

Por: Carla Maio


Em tempos de distanciamento e isolamento social como formas de evitar o contágio pela Covid-19, arte e cultura têm sido verdadeiro acalento e antídoto contra o medo, a angústia e a depressão. Há pouco mais de um mês, quando as orientações da Organização Mundial da Saúde alertaram para a necessidade de ficar em casa e evitar aglomerações, instituições públicas e entidades como museus, orquestras, companhias de teatro e dança, além de professores e artistas das mais variadas linguagens, decidiram compartilhar, de modo filantrópico ou não, vasto conteúdo cultural pelas redes sociais. Desde então, a arte tem dado seu recado, marcando presença em meio aos itens essenciais de subsistência.

Na área da música, por meio de lives realizadas em sua grande maioria pelo Instagram e Facebook, há inúmeras opções de entretenimento para todos os gostos. Com alguns clicks, é possível encontrar apresentações intimistas de Caetano Veloso ou o show com mais de cinco horas de Guilherme Arantes, o belíssimo espetáculo que o cantor italiano Andrea Bocelli fez sem plateia na catedral de Milão, passear pelos não palatáveis sertanejos e curtir grandes espetáculos de rock com ídolos como Eddie Vedder, Paul McCartney, Elton John, The Killers, que participam do mega festival Together at Home. Além de transmissão online em diversas plataformas, o festival será transmitido ao vivo pela MTV Brasil, a partir das 21h do próximo sábado, dia 18 de abril.

E não é só de mainstream que vive a pandemia. Agora como nunca, se faz urgente o compartilhamento daquele trabalho autoral que um amigo ou banda acaba de lançar, ou o material bacana que um artista disponibilizou no Deezer e no Spotify, mas que não dispôs de recursos para fazer a divulgação. Lembra daquela amiga cantora que costumava enviar convites para os shows que fazia de quinta a domingo, em um dos tantos bares da cidade? Acesse a página dela, curta seus vídeos no Youtube e, quando tudo isso terminar, não deixe de ir vê-la pessoalmente. E o que dizer dos espetáculos de música de orquestras, peças de teatro e dança, que agora podem ser apreciados no conforto dos sofás pela primeira vez por uma família inteira? É certo que, em um breve futuro, os teatros voltarão a ficar lotados. Com esse “respiro” vindo da classe artística do Brasil e do mundo, a impressão é de leveza e puro deleite. Contudo, o debate necessário reacende a questão da valorização da classe artística no país, uma das mais atingidas pelo cancelamento de shows e espetáculos por causa da pandemia. Em meio a um contexto já bastante prejudicado por inúmeros retrocessos e que se deparou com a escassez de trabalho e geração de renda, é de grande urgência pensar em alternativas para remunerar quem oferece arte em troca de likes.

Apesar de incipientes, Iniciativas como o edital da Prefeitura de São Paulo para destinação de R$103 milhões para apoio aos artistas da cidade e os editais de emergência do Itaú Cultural se apresentam como alternativas para movimentar a economia criativa de maneira rápida e eficaz. É possível que, passado esse momento de pandemia, possamos entender que a Arte é uma das formas mais legítimas de resistência e sobrevivência. Como patrimônio vital, investimentos nessa área devem transitar em meio à pauta dos governos sensíveis à vida humana.

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