Search

No lugar de poucas bandas lucrando muito, temos muitas bandas lucrando pouco

Updated: 4 days ago



Desde o aparecimento do MP3 em 1995, o trânsito de arquivos música aumentou em escala geométrica, acabando com a escassez e facilitando a pirataria. O efeito disso, com o tempo, foi a queda drástica da venda de CDs e outros suportes físicos para a música. Dez anos depois, o YouTube aparece como plataforma para assistir vídeos amadores, videoclipes e shows de forma gratuita, dando espaço a todas as pessoas que produzem conteúdo com câmeras e interfaces digitais de áudio.


A indústria fonográfica “patinou” por um bom tempo tentando entender o que estava acontecendo. Não adiantou lutar contra a cultura emergente (nichos de mercado) , pois esta veio para ficar. Os hits e a mídia mainstream continuam existindo, mas perderam o monopólio da atenção, pois dividem seu protagonismo com o mercado de nichos. Com a popularização da Internet e as plataformas de streaming, a TV perdeu o posto de centro da atenção dos consumidores. A Internet pulverizou esta atenção em sites, web radios, plataformas de streaming, etc.



Os custos para alcançar esses nichos estão caindo. Devido a uma combinação de forças que inclui a distribuição digital, poderosas tecnologias de busca e uma massa crítica de penetração da banda larga, os mercados on-line estão redefinindo a economia do comércio varejista. Portanto, em muitos mercados, agora é possível oferecer uma variedade de produtos largamente expandida.

Mas a mera oferta de maior variedade não gera, por si só, um aumento na demanda. Os consumidores devem encontrar a forma para localizar os nichos que satisfaçam suas necessidades e interesses particulares. Há uma série de ferramentas e técnicas -desde recomendações até rankings- que são eficazes para isso. Esses “filtros” são os encarregados de orientar a demanda.


Uma vez que a variedade de produtos expande-se largamente e há filtros, a curva de demanda vai se tornando horizontal (vide a teoria da “Cauda Longa” de Chris Anderson). Ainda continuam existindo sucessos e nichos, mas os sucessos são relativamente menos populares, enquanto os nichos são relativamente mais populares.


Todos os nichos se somam. Embora nenhum deles obtenha grandes cifras, existem tantos produtos de nicho, que, coletivamente, podem competir com os produtos mais vendidos.

Quando tudo está em seu lugar, a demanda mostra sua forma natural, já desprovida das deformações provocadas pelas restrições na distribuição, a escassez de informação e as opções limitadas ao espaço das "estantes".


Esse modelo está muito longe de ser impulsionado pelos hits, como se acreditou durante tanto tempo. O que essa nova conformação da demanda mostra é que ela é tão diversa quanto o próprio público consumidor.


Hoje, vivemos a cultura de nicho .


Logicamente, a cultura de massa continua existindo, mas ela não é a única, como era no passado, quando a indústria fonográfica “deitava e rolava”.

Com o crescente barateamento dos meios de produção musical, qualquer pessoa pode gravar sua música em casa e divulgar na Internet. Isso aumentou a oferta de artistas nas “prateleiras” virtuais como as plataformas de streaming suas playlists.



Hoje, no lugar de poucas bandas lucrando muito, temos muitas bandas lucrando pouco.

Em praticamente todos os mercados existem mais produtos de nichos que "sucessos". Essa proporção está se tornando exponencialmente maior à medida que as ferramentas de produção ficam mais baratas e mais onipresentes.

O que faz com que os custos diminuam ? Ainda que a resposta varie de mercado para mercado, a explicação geralmente envolve alguns fatores.


1- Graças ao computador e ao celular, milhões de pessoas têm condições de fazer um curta-metragem ou um álbum de música, publicar suas idéias e difundi-las para o mundo.


2-Diminuição dos custos de consumo devido à democratização da distribuição. O fato de que todos podem produzir conteúdo somente faz sentido se outros puderem ter acesso a isso. O computador converteu cada pessoa em produtora ou editora, e a internet transformou-as em distribuidoras. Com a Internet, o custo para chegar a mais pessoas e o maior acesso a nichos é praticamente zero.


3-A "ponte" entre a oferta e a demanda, que possibilita aos consumidores ter acesso a esses novos produtos agora disponíveis e muda a demanda do espaço dos hits para o dos nichos. Isso pode se dar por meio de buscas no Google, recomendações do Spotify, blogs, comentários de clientes, etc. O resultado para os consumidores é claro: os custos de busca de conteúdos de nicho diminuem.


Concluindo, as ferramentas de produção democratizadas estão gerando um rápido acréscimo na quantidade de produtores. Uma economia digital extremamente eficiente está guiando os consumidores para novos mercados. E, finalmente, a capacidade de se conectar com a inteligência distribuída de milhões de consumidores -para aproximar as pessoas das coisas que mais a satisfazem- está provocando um crescimento de todos os novos métodos de recomendação e marketing, que fundamentalmente se comportam como novos geradores de tendências.


Texto escrito por Oswaldo Marques

Instagram: https://www.instagram.com/oswaldoguitar/



  • White Facebook Icon
  • White Twitter Icon
  • White Instagram Icon
  • Branca ícone do YouTube
  • White Flickr Icon
  • White Google+ Icon

© Todos os direitos reservados a Rádio Web Stay Rock Brazil